quarta-feira, abril 5

Portugal é o país mais fraco da UE em profissionais nas áreas tecnológicas

Segundo o Eurostat, Portugal é o último do 'ranking' europeu de força de trabalho com qualificações em ciência e tecnologia, continuando atrás da Roménia. Tem também as regiões mais fracas, mas que mais crescem.
Portugal continua a ser o país da União Europeia (UE-25) com menos trabalhadores especializados nas áreas de ciência e tecnologia (C&T) em proporção da população activa, apesar dos crescimentos muito elevados que têm sido registados nos últimos anos. Dados recentes, ontem publicados pelo Eurostat, mostram que Portugal tinha, no final de 2004, apenas 21,4% de profissionais de C&T (grupo onde se inserem, por exemplo, os cientistas e engenheiros) na força de trabalho total da economia. Ao todo a economia nacional contava com 1.172.000 profissionais ligados às áreas de maior pendor científico e tecnológico.
O país continua assim atrás da Roménia, o penúltimo da lista, o que acontece aliás há vários anos consecutivos. Aquela nação de leste, candidata à UE e uma das mais pobres da Europa, contava com 21,7% daquele tipo de activos altamente qualificados. O 'ranking' é liderado pela Bélgica (52,2%) e pela Finlândia (50,4%), países onde mais de metade da população activa se dedica às áreas de C&T.
Portugal tem em curso um Plano Tecnológico que visa, justamente, reduzir este e outros desajustamentos ao nível das qualificações e do uso das tecnologias no âmbito da Agenda de Lisboa - a estratégia que visa tornar a economia europeia na mais competitiva do mundo.
O Eurostat faz também uma análise onde mostra que o continente nacional e as duas regiões autónomas são as NUTS 1 mais atrasadas da Europa. A força de trabalho de C&T representa apenas 15,4% do total nos Açores, 18,9% na Madeira e 21,6% em Portugal continental, num 'ranking' que é liderado porBruxelas-Capital e pela Île de France (Grande Paris), com 64,5% e 62,4%, respectivamente. Mas é esse atraso (efeito de base) que faz com que sejam as regiões portuguesas a registar as maiores taxas de crescimento médio entre 1999 e 2004. Na Madeira, por exemplo, o contingente de profissionais de C&T disparou quase 19%, o ritmo mais elevado da Europa. Nos Açores o atraso é preocupante: é a região com menor peso de profissionais de C&T, com um crescimento médio que ronda os 6,3%, abaixo da expansão de Bruxelas-Capital. O Eurostat repara ainda que a Polónia, que é o quinto país mais fraco com 30,9% de trabalhadores de C&T na população activa, é a economia com maior número de regiões (cinco) no fundo da tabela, o que em parte é explicado pela sua grande dimensão.
A região de Lisboa (NUTS 2), a mais rica do país, está acima da média nacional, com quase 35% de profissionais de C&T. É, no entanto, a penúltima no 'ranking' composto pelas melhores NUTS 2 de cada país.
C&T perde peso nos sectores de vanguarda
O peso dos recursos humanos especializados em C&T caiu nos chamados sectores de vanguarda da economia portuguesa, ou seja, no total de emprego gerado pelas indústrias e serviços de alta tecnologia e intensivos em conhecimento, interrompendo a tendência de crescimento que se verificava desde 1998, pelo menos.
De acordo com o Eurostat, a proporção daquele género de profissionais no total de emprego gerado pelas indústrias e serviços de alta tecnologia caiu cerca de um ponto percentual, de 32,6% para 31,6% entre 2003 e 2004. No entanto, esta perda de protagonismo terá ficado a dever-se a uma expansão bem mais célere do emprego total nos sectores em causa, contrariando desta forma a tendência positiva a nível nacional.
Em Portugal, entre 2003 e 2004, o número de pessoas com actividades de C&T aumentou de 989,3 mil (19,3%) para 1.171,8 mil (22,9%), atingindo assim o maior valor absoluto de sempre.
Na indústria, aquele tipo de habilitações reforçou-se de 8,8% para 9,8% do emprego total, ao passo que nos serviços o aumento foi ainda mais firme, como rácio a subir de 26,4% para 30,1% do emprego sectorial.
Como seria de prever, na agricultura, floresta e pescas o peso desceu para 1,4%.
O Eurostat revela também que a educação é a actividade com maior intensidade de recursos de C&T (69% do emprego total), tendo reforçado esta taxa pelo segundo ano consecutivo, até um total de 216,2 mil pessoas.
Na Administração Pública, a presença deste tipo de habiliações também aumentou, de 33,2% para 37,3%.
No final de 2004 havia quase 123 mil profissionais de C&T.
Fonte: Diário Económico
Autor: Luís Reis Ribeiro

Um comentário:

António Garcia Barreto disse...

Dá que pensar. Mas não podemos ficar só pela constatação do facto. Temos de inverter a situação o mais depressa possível. Todos e cada um, a começar pelos políticos que governam o país.