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Sem um palco que lhe dê arrimo, um actor é apenas um homem comum com um rosto vulgar e ambições insatisfeitas. A sua força e poder provêm do artifício – assim como um feto retira alimento do corpo da mãe e a criança se agarra à sua mão, também o actor conta com os artifícios para viver. Do mesmo modo, há muito que as mulheres têm dependido dos homens para ser sustentadas, revelando, em troca, parte do segredo ilusório que constitui o seu encanto. Mas quanto disto é meramente encenação?
No final de contas, a vida não é mais do que uma peça teatral. Ou uma ópera. Seria mais fácil para nós todos se pudéssemos somente assistir às partes mais interessantes. Mas, em vez disso, temos de suportar os meandros tortuosos da intriga e os excruciantes momentos de emoção. Sentados na penumbra, somos alvo de vagas ameaças. É evidente que podemos levantar-nos e sair, mas os actores não têm escolha. E logo que a cortina sobe, têm de desempenhar os seus papéis do princípio ao fim. Não há nenhum sítio onde se possa esconder.
Lee, Lilian, "Adeus, Minha Concubina" ASA Editores - Livros de Bolso.
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