segunda-feira, outubro 7

PSD está incomodado com Machete


Sob a posição oficial de apoio a Rui Machete, o PSD dá sinais de desconforto com a gestão das sucessivas polémicas do ministro dos Negócios Estrangeiros a que o governo tem sido sujeito. A entrevista do ministro à rádio pública de Angola - em que Machete pede "diplomaticamente desculpas" pelas investigações judiciais em curso em Portugal, envolvendo altos dirigentes angolanos - foi apenas mais um episódio a acrescentar ao conjunto de situações protagonizadas por Machete, em pouco mais de dois meses que leva de governo.

Na entrevista, emitida em Angola a 18 de Setembro (e noticiada na última sexta-feira pelo "Diário de Notícias"), Machete reduz as investigações do Ministério Público a questões de "formulários e de coisas burocráticas". O ministro pede "diplomaticamente desculpas" por um caso que "não está na nossa mão evitar" e assume que, da parte da Procuradora-Geral da República (PGR) a resposta às informações "pedidas" foram no sentido de que "as coisas não tinham nenhum grau de gravidade". O chefe da Diplomacia assumia ter solicitado à PGR informações sobre processos em segredo de Justiça, pondo em causa a separação de poderes. Uma ideia que o Palácio das Necessidades veio entretanto rejeitar: "Não fui informado, nem nunca fiz perguntas à Procuradoria-Geral da República, ou a qualquer instância judicial, sobre quaisquer processos que aí decorressem", escreveu Machete em comunicado. Na sequência da entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros, Joana Marques Vidal já tinha vindo afirmar que "na República Portuguesa vigora o princípio da separação entre os poderes legislativo, executivo e judicial".

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