quarta-feira, março 25

A fractura do silêncio

Ponhamos de lado a questão da demissão ou não demissão do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Haverá certamente argumentos favoráveis e desfavoráveis para cada uma destas opções.
Centremo-nos apenas no que foi (não) dito no seio do Governo e da maioria. A ministra das Finanças, sempre solícita a emitir as suas posições, mantém um silêncio impiedoso, como que tentando dar a entender que o assunto nada tem a ver com ela e o seu ministério. Aliás, esta é uma lógica de desresponsabilização hierárquica que parece estar a fazer escola. Se há um qualquer problema num ministério, o primeiro ímpeto é passá-lo para a secretaria de Estado que esteja mais à mão. Por sua vez esta tenta passar para um indefeso director-geral, e assim sucessivamente. No fim, “a culpa é dos serviços”, que é quase o mesmo que dizer que é nossa.
O CDS de Paulo Núncio também está quase mudo. Quer no seio do Governo, quer no grupo parlamentar, quer no próprio partido. Do PSD, parceiro da coligação, este assunto será, provavelmente, um fait divers que não merece uma declaração política.

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