"Ser comunista é, antes de mais, apreciar e admirar a atitude do Partido Comunista, a que pertenço em Portugal: defender os direitos dos trabalhadores até ao limite do possível. Essa é a missão de um partido comunista neste momento."
"Se António Costa quisesse verdadeiramente fazer alguma coisa de útil pelo Terreiro do Paço, tratava de dar ao Metro um prazo imperetrível para terminar ou desistir das eternas obras do túnel à beira-Tejo."
"No Pontal, Marques Mendes perdeu autoridade, sem ganhar um voto. E permitiu até que o inconcebível Bota o acusasse com alguma verosimilhança de oportunismo e de inconsequência."
O arquitecto Álvaro Siza Vieira é figura de destaque na edição de ontem do jornal americano "The New York Times". A notícia - que traça uma retrospectiva da carreira do arquitecto português, assinada por Nicolai Ouroussoff -, é publicada a propósito do projecto do Museu para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no Brasil, assinado por Siza, visto pelo jornalista como "o seu maior trabalho escultural até hoje".
Um homem incomparável. Três palavras que provocam escândalo. A 22 de Fevereiro de 1862, num anfiteatro repleto do Colégio de França, a lição inaugural de Ernest Renan, o autor do crime, vai ser também a última. Na França do Segundo Império, qualificar Jesus de homem incomparável - e nada mais - equivale a renegar a divindade. Dois anos mais tarde, o escritor é afastado da cadeira de Hebraico que, sob influência de uma amiga de infância, Napoleão III lhe tinha oferecido. Entretanto, fora publicada a sua Vida de Jesus. O sucesso é enorme, tal como a cabala. Doze edições vão seguir-se até 1868. A grande diocese - assim lhe chamará o crítico Saint-Beuve - dos deístas, dos positivistas, dos panteístas, dos discípulos da religião natural, dos prosélitos da ciência pura esfrega as mãos e rejubila. Na outra trincheira, a imprensa ultraclerical perde a cabeça. Renan, o renegado. Antigo seminarista menor de Saint-Nicolas-du-Chardonet, educado depois pelos padres de São Sulpício, há muito que mandou o hábito às malvas. A sua Vida de Jesus é o maior crime de imprensa cometido desde Voltaire, clama o abade Cognat, um antigo condiscípulo. No Monde, jornal dos católicos intransigentes, o futuro bispo Freppel dá o toque de carga contra este espírito soberbo que só usa a sua falsa ciência para desorientar as massas e enganar os simples. Está-se na véspera da guerra de 1870 [contra o Reich alemão], e o alsaciano Freppel pressente uma nova máquina de guerra alemã. Bem visto. Renan nunca escondeu a sua inclinação por Hegel e pela filosofia alemã.
Tincq, Henri in Os Génios do Cristianismo edição gradiva
Os ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia, a verdade desse humorístico lugar comum do século XVIII: «A História é uma velhota que se repete sem cessar». O Fado ou a Providência, ou a Entidade qualquer que de lá de cima dirigiu os episódios da campanha do Afeganistão em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta. Em 1847 os ingleses, «por uma Razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia...» e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes - invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos Arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame, e fuma o cachimbo da paz… Assim é exactamente em 1880.
Queirós, Eça, in Cartas de Inglaterra Publicações EUROPA-AMÉRICA
Presidente da República Portuguesa de 1919 a 1923 (Vale da Vinha, Penacova, Coimbra 1866 – Lisboa 03/10/1929). Formado em Medicina, exerceu clínica na ilha de S. Tomé até 1904. Chegado a Lisboa, entrou na actividade política republicana. Pela sua eloquência tornou-se o ídolo popular nos comícios republicanos. Exerceu uma profunda acção demolidora pela palavra eruptiva e pela pena brilhante. Fundou um partido tido como o mais moderado entre os três que se formaram após a desagregação do Partido Republicano Português (1912), tendo como órgão o diário República, de que foi director. Foi ministro do Interior no governo republicano provisório e chefe de governo em 1916 e 1917. Chefe de Estado de 06/08/1919 a 05/10/1923, foi o único presidente que até 1926 se manteve no cargo até ao fim do mandato. Pela sua eloquência e afabilidade transformou num êxito memorável a sua visita protocolar ao Brasil por ocasião do centenário da independência do país irmão (1922).
O Grande Livro dos Portugueses - Círculo de Leitores
envolto num lençol de cal duas cintilações sob as pálperas húmidas e um ardor perfura a noite onde uma ponte atravessa um rio
o voo é demorado ficaste a saber que nem deus é eterno desfez-se no erro daquilo que criou perdeu-se nas suas imperfeições e certezas
agora pela janela do avião vês como tudo é mínimo lá em baixo – quando a oriente da loucura a mão cinzenta do inverno perdura no rosto daqueles que sonolentos viajam dentro deste pequeno túmulo de serenidade
Dalila Rodrigues, directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), foi ontem afastada do cargo por "discordar" publicamente da tutela em relação ao modelo de gestão dos museus, reclamando a sua autonomia financeira e administrativa. A 1 de Setembro será substituída por Paulo Henriques, director do Museu Nacional do Azulejo.
Numa maçadora entrevista à SIC, o nosso querido primeiro-ministro tentou minimizar e, até, desacreditar o artigo de Manuel Alegre, no Público, no qual criticava o autoritarismo e o medo ressurgentes. Sócrates repetiu o já por nós sabido. E os entrevistadores, apesar da agressividade sorridente, apenas expuseram a modéstia dos pessoais recursos. Sócrates não possui o talento das suas farsas e começa a ser deprimente a grosseria das respostas. O homem dissimula, com o enfatuado das frases, o facto de que não dispõe de ideias de seu.