Trinta e quatro anos decorridos do derrube do Estado Novo, a Imprensa deste País aborda a problemática da Greve Geral (Parcial para o Governo) com a importância relevada pelas 1ª paginas de alguns jornais deste País. Dá que pensar…
Chove, e do outro lado da rua um velho olha os carros que passam. Apoia-se numa bengala e numa mão tem um saco de plástico transparente com algumas maçãs dentro, três ou quatro maçãs vermelhas. Os olhos são sublinhados, cada um, por uma linha muito carregada, e logo acima duas outras rugas começam a aparecer, mas muito timidamente ainda, muito timidamente, ou então assim parece por contraste com a primeira. Muito grande, um autocarro precipita-se rua abaixo. O velho olha para o saco que tem na mão, talvez para ter a certeza de ainda o ter na mão, talvez porque está a pensar se lhe apetece comer uma maçã, talvez por outra razão qualquer, ou por razão nenhuma, e o autocarro passa nessa altura, mesmo junto ao passeio, num vento rápido e pesado, vuuuuu. A luz brilha num repente. Numa esquina ao fundo o autocarro vira, segue por outra rua, por detrás de um prédio abandonado. Os carros continuam a passar ininterruptamente. E continua a chover, a chover. Coça a cabeça agora o velho, a mão pintalgada por manchas castanhas por entre o branco dos cabelos, e de repente vê qualquer coisa. Levanta o braço, um táxi abranda. Depois dá um passo em frente, em direcção ao sítio onde deverá ficar a porta detrás do carro, mas nesse preciso momento este acelera e desaparece. Por uns segundos há um silêncio estranho, irreal quase. Não passa mais nenhum automóvel. O velho então baixa os olhos e segue pelo passeio. Anda devagar, muito devagar, uma mão segura o cabo da bengala, a outra o saco com as maçãs. Vai-se embora e nunca mais levanta a cabeça.
Pires, Jacinto Lucas in AZUL TURQUESA edições Cotovia
Presidente da República Portuguesa de 1911 a 1915 (Horta 8/7/1840 – 5/3/1917). De seu nome completo Manuel de Arriaga Brum da Silva, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra (1865) e abriu em Lisboa banca de advogado. Dedicou-se ao ensino como professor de Inglês no curso liceal. Pertencia ao Directório Republicano aquando da revolta de 31/1/1891. Deputado desde 1882 e orador fogoso, contribuiu para o advento da República, vindo a ser o seu primeiro presidente constitucional, depois de ter sido reitor da Universidade de Coimbra nuns escassos meses. A 13/5/1915 eclodiu uma revolução que derrubou o governo de Pimenta de Castro e levou o presidente da República a renunciar ao mandato. Como governante tentou em vão estabelecer a harmonia social. Publicou algumas obras em verso e em prosa reveladoras do seu pendor romântico, que conservou toda a vida.
O Grande Livro dos Portugueses – Círculo de Leitores
Porque como trabalhador estou contra a Precariedade a Flexigurança o Desemprego e a Desigualdade e, porque, como funcionário público estou contra o término do vínculo de nomeação, contra os despedimentos, contra as progressões nas carreiras, estou de ‘corpo e alma’ no apoio a esta greve geral.
Guitarrista (nasceu em Coimbra 16/02/1925 – Lisboa 23/07/04). Tanto seu pai, Artur Paredes, como seu avô Gonçalo Paredes foram intérpretes inovadores da guitarra portuguesa. Muito jovem veio para Lisboa, onde fez estudos Liceais e musicais. Desde os começos da década de 60 assinalou-se como intérprete do chamado “ estilo de Coimbra “, criado por seu pai, ficando o seu nome ligado ao novo cinema nacional, que encontrou no som da guitarra o suporte para cimentar o seu carácter português. Conseguindo dar ao seu instrumento uma nova dimensão sonora, escreveu música para filmes e outros trabalhos cinematográficos e para o teatro, tendo sido um dos fundadores do Grupo de Teatro de Campolide. Algumas das suas obras foram coreografadas. Deu concertos nos cinco continentes e recebeu vários prémios da crítica. Ele próprio reconheceu a sua “ propensão para o virtuosismo e o melodismo de sugestão violinística”. Deve-se-lhe não apenas o aperfeiçoamento estrutural da guitarra portuguesa mas também a criação da guitarra-baixo.
O Grande Livro dos Portugueses – Círculo de Leitores
Como se vê, o problema [do Governo] já não é de autismo, de miopia ou de irresponsabilidade política. E não há central de controlo da informação que lhe valha.
Escultor (Vila Nova de Gaia 1886- Freguesia de S. Mamede de Riba Tua - concelho de Alijó1942). Filho de José Joaquim Teixeira Lopes. Aluno de seu pai e de Soares dos Reis na Escola do Porto, estudou em Paris e foi largos anos professor na Escola de Belas-Artes do Porto. Trabalhou o bronze, o mármore e a madeira com igual mestria. Sem atingir a grandeza de seu mestre Soares dos Reis, revelou um profundo conhecimento da técnica escultórica, em grande virtuosismo e forte sentido plástico. É ainda um criador de Oitocentos. De obra essencialmente expressiva, dentro de um naturalismo dominado por valores literários, o seu programa vai definir-se logo em Paris, para onde foi em 1884. teve rápido sucesso, sendo várias vezes medalhado nos salons e o único português com honras de membro do Instituto de França. Ofélia, 1888, Caim, 1889, e Viúva, 1890, são três etapas na definição do seu programa. Perfeito numa estatuária mais intima, funcionando pior em projectos mais ambiciosos, Teixeira Lopes foi autor de algumas das mais belas obras escultóricas produzidas no virar do século em Portugal, com relevo especial para o Monumento a Eça de Queirós, 1903, e para a estátua de Soares dos Reis.
O Grande Livro dos Portugueses – Círculo de Leitores
Dizem que o tédio é uma doença de inertes, ou que ataca só os que nada têm que fazer. Essa moléstia da alma é porém mais subtil: ataca os que têm disposição para ela, e poupa menos os que trabalham, ou fingem que trabalham (o que para o caso é o mesmo) que os inertes deveras. Nada há pior que o contraste entre o esplendor natural da vida interna, com as suas Índias naturais e os seus países incógnitos, e a sordidez, ainda que em verdade não seja sórdida, de quotidianidade da vida. O tédio pesa mais quando não tem a desculpa da inércia. O tédio dos grandes esforçados é o pior de todos. Não é o tédio a doença do aborrecimento de nada ter que fazer, mas a doença maior de se sentir que não vale a pena fazer nada. E, sendo assim, quanto mais há que fazer, mais tédio há que sentir. Quantas vezes ergo do livro onde estou escrevendo e que trabalho a cabeça vazia de todo o mundo! Mais me valera estar inerte, sem fazer nada, sem ter que fazer nada, porque esse tédio, ainda que real, ao menos o gozaria. No meu tédio presente não há repouso, nem nobreza, nem bem-estar em que haja mal-estar: há um apagamento enorme de todos os gestos feitos, não um cansaço virtual dos gestos por não fazer.
Soares, Bernardo in “Livro do Desassossego” edição Assírio & Alvim
O crescente autoritarismo do poder e o extravagante culto da pessoa de Sócrates, que o Governo promove e alimenta, é que pouco a pouco criaram o clima em que se vive e que inspirou o 'caso Charrua'.
(...) A história da prepotência e do arbítrio não começou na DREN, não vai acabar na DREN e com certeza que não se limita à DREN.
José Régio era o pseudónimo utilizado por José Maria dos Reis Pereira, um dos nomes célebres da Literatura Portuguesa. José Régio foi poeta, dramaturga, ensaísta, crítico, romancista e memoria lista.
Foi um colaborador constante da imprensa escrita, incluindo do Diário de Notícias. Das suas obras destacam-se por exemplo: “O Príncipe com Orelhas de Burro” e “Confissões de um Homem Religioso”, entre outras. Foi considerado a personalidade literária mais completa do Século XX.
Conversa entre duas loiras... - Pus soalho flutuante em casa, assim quando vierem as próximas cheias o chão flutua e não fico com a casa inundada. - Mas se vierem muitas cheias isso sobe muito e bates com a cabeça no tecto! - Ah! Mas eu também pus tecto falso!
O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas no ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou o seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos. Não faltam cores a esta paisagem. Porém, nem só de cores. Há dias tão duros como o frio deles, outros em que não se sabe de ar para tanto calor: o mundo nunca está contente, se o estará alguma vez, tão certa tem a morte. E não faltam ao mundo cheiros, nem sequer a esta terra, parte que dele é servida de paisagem. Se no mato morreu animal de pouco, certo que cheirará ao podre do que morto está. Quando calha estar quieto o vento, ninguém dá por nada, mesmo passando perto. Depois os ossos ficam limpos, tanto lhes faz, de chuva lavados, de sol cozidos, e se era pequena o bicho nem a tal chega porque vieram os vermes e os insectos coveiros e enterraram-no.
Saramago, José in Levantados do Chão edições Caminho
O professor Egas Moniz revelou ao mundo algumas das maiores descobertas, através dos seus estudos e observações na área da medicina. Pela sua mão surgiu uma importante intervenção cirúrgica ainda hoje designada por Lobotomia Pré-frontal e também a descoberta da Angiografia Cerebral Humana, que representou um grande contributo para a medicina. No ano de 1949 o seu trabalho foi laureado pelo Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina.
Manuel Maria Barbosa du Bocage, aventureiro, amante da vida boémia e tertúlias literárias, dono de uma personalidade interior conflituosa, foi considerado o maior poeta português do séc. XVIII, do qual ficaram notórios os seus sonetos, epigramas e apólogos.
José de Sousa Saramago escritor português, participou ao longo dos anos em vários títulos da imprensa escrita nacional, sendo Director-Adjunto do Diário de Notícias em 1975. Autor de várias obras literárias, entre as quais se destacam “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “Ensaio Sobre a Cegueira” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, foi o primeiro português a receber o Prémio Nobel da Literatura em 1998.
Rei de Portugal entre 1557 e 1578, ficou intitulado como O Desejado, designado assim porque foi o legítimo herdeiro ao trono sucedendo a seu avô D. João III, cujos filhos faleceram precocemente, tornando assim periclitante o destino do trono português, que foi salvaguardado pelo seu nascimento.
No entanto, El-Rei D. Sebastião partiu, solteiro e sem filhos, para os territórios marroquinos na ânsia de alcançar a mítica figura de cavaleiro heróico na defesa da Pátria e acabou por falecer na batalha de Alcácer Quibir. A Pátria que era sua, nunca aceitou a sua morte e por isso mesmo, ainda hoje se ouve muitas vezes dizer que Portugal aguarda o regresso de D. Sebastião, numa manhã submersa pelo nevoeiro.
Tania Derveaux, candidata in Belgio per le elezioni al Senato, si è fatta fotografare nuda per la campagna elettorale. Le foto sono state pubblicate dal più popolare periodico maschile del Paese. In queste foto, la didascalia: "Vi prometto 400.000 posti di lavoro". Il doppio di quelli promessi dal principale partito del Belgio, il VLD. Mentre un altro partito, minoritario, ne aveva promessi 260.000. Adesso il nuovo e controverso partito NEE ne promette 400.000, per bocca della bella candidata. Interessante strategia.
"A situação [na Madeira] chegou a tal ponto que a oposição pediu a intervenção do Presidente. E o que fez Cavaco? Lavou as mãos. A Democracia (pois é a Democracia que está em causa na Madeira) que se amanhe e vá ter com os 'orgãos competentes."
Construída no reinado de D. Afonso Henriques, a Sé Velha é a única catedral românica portuguesa a sobreviver quase intacta até aos nossos dias. É um templo de três naves e cabeceira tripartida harmónica, que integra trifório amplamente decorado no segundo andar das naves e fachada principal compacta e ameada, evidenciando inequívoco carácter militar. A partir de 1218 iniciou-se a construção do claustro, o primeiro de estilo gótico no país. Ao longo dos séculos, o conjunto foi engrandecido, destacando-se o retábulo-mor flamejante (da viagem para o século XVI) e a Porta Especiosa, entrada monumental renascentista devido à mão de João de Ruão.
"Como não sou hipócrita, nem ingénuo, também sei que dificilmente uma candidatura ganhadora [em Lisboa] será gerada sobre a actual direcção partidária."