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quinta-feira, julho 8

A Torpe Sociedade onde Nasci

A Torpe Sociedade onde Nasci

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.

II

Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!

V

Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

segunda-feira, março 5

Que importa perder a vida

Que importa perder a vida
em luta contra a traição
se a Razão, mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?


António Aleixo

sábado, fevereiro 10

Nunca faças

Nunca faças propaganda
contra aquilo que não queres,
senão os da outra banda
compreendem o que preferes.


António Aleixo in "Este Livro Que Vos Deixo"

sábado, junho 24

O Livro

Lê-se um livro com carinho
e, ao deixá-lo, a visão passa;
e ninguém segue o caminho
que a moral dos livros traça.
António Aleixo