Hoje foi mais um dia de fisioterapia.
Digo-o assim, como quem fala de uma rotina banal, mas não há banalidade nenhuma nisto de reaprender o corpo.
Voltei às sessões. Elásticos que resistem, o step que me mede a força, a passadeira que me lembra que caminhar não é apenas avançar, a bicicleta que me devolve o fôlego aos poucos. Exercícios repetitivos, dizem. Repetitivos como a insistência da vida em não nos deixar desistir.
Mas é a linha preta no pavimento que me confronta verdadeiramente. Tão simples, tão estreita, tão imóvel — e ainda assim exige de mim uma negociação constante com o centro de gravidade, esse ponto invisível onde o corpo decide se permanece de pé ou se cede. Caminhar sobre ela é quase um acto de fé. Um pé diante do outro, como se o chão pudesse, a qualquer momento, recusar-me.
Sou perfeccionista, é verdade. Quero fazer sempre melhor, como se o erro fosse uma afronta pessoal. Mas começo a perceber que o falhanço não é um inimigo — é um aviso. Se hoje vacilo, amanhã ajusto. Se hoje tremo, amanhã sustento-me um pouco mais.
Não há heroísmo nestes passos curtos. Há teimosia. E às vezes, a teimosia é a forma mais honesta de coragem.

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