sábado, maio 31

EU NÃO VOU


Gilberto Gil: «Obra de Siza Vieira vai marcar a América Latina»

Uma Foto Por Dia


photo: Nina. Foto 701. Hoje em BCN, amanhã não sei - Barcelona.

Consta

"Tendo em conta que, deixando de fumar, Sócrates viverá mais tempo, não sei se a medida será benéfica para o país. Nesse sentido, é possível que não seja uma promessa, mas sim uma ameaça."
Ricardo araújo Pereira
Visão

O BENFEITOR

by Tomy

Agravamento de desigualdades é «empiricamente falso», diz Santos Silva

quarta-feira, maio 28

aparição

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. No chão da velha casa a água da lua fascina-me. Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias, das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos, que me constrange e tranquiliza. Tento descobrir a face última das coisas e ler aí a minha verdade perfeita. Mas tudo esquece tão cedo, tudo é tão cedo inacessível. Nesta casa enorme e deserta, nesta noite ofegante, neste silêncio de estalactites, a lua sabe a minha voz primordial. Venho à varanda e debruço-me para a noite. Uma aragem quente banha-me a face, os cães ladram ao longe desde o escuro das quintas, fremem no ar os insectos nocturnos. Ah, o sol ilude e reconforta. Esta cadeira em que me sento, a mesa, o cinzeiro de vidro, era objectos inertes, dominados, todos revelados às minhas mãos. Eis que os trespassa agora este fluído inicial e uma presença estremece na sua face de espectros… mas dizer isto é tão absurdo! Sinto, sinto nas vísceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, de mim, e uma palavra que o diga coalha-me logo em pedra. Nada mais há na vida do que o sentir original, aí onde mal se instalam as palavras, como cinturões de ferro, aonde não chega o comércio das ideias cunhadas que circulam, se guardam nas algibeiras.

Ferreira, Virgílio in aparição edições Bertrand Editora


Uma Foto Por Dia


photo: chico esperto. Foto 698. Parque Tejo - Lisboa.

O HEDIONDO SORRISO

Consta

"A crise dos combustíveis é o verdadeiro sismo que abala a carteira dos portugueses e a tesouraria das empresas e instituições de solidariedade."
Armando Esteves Pereira
Correio da Manhã

segunda-feira, maio 26

Uma Foto Por Dia


photo: chico esperto. Foto 697. Pátio do Carrasco - Lisboa.

¿Pan o coches?

Argentina, 1988: la inflación galopaba a 100 por segundo y no era infrecuente comprar un producto en algún súper que, al llegar a la caja, en 10 metros, un minuto y dos de espera, había aumentado de precio. Una mujer anunciaba por altavoz la escalada con tonos impiadosos y los clientes apuraban la compra. Parecía la Alemania de 70 años atrás, cuando viajar en un tranvía costaba millones de marcos. El fenómeno sigue presente en todo el mundo: el precio de los alimentos se empina y las explicaciones abundan. Es el aumento del precio del petróleo, afirman algunos. Son los bioenergéticos, opinan otros y abren un debate que se da en varios rincones del planeta.
El presidente W. Bush ha declarado: “Como se sabe, yo soy del etanol” (The Indian Star, 2-5-08). Pero el estado de Iowa, que el año pasado obtuvo una cosecha de cereales cuyas calorías sumadas podían alimentar a todos sus habitantes durante 85 años, no tardará en importarlos: la mayoría del grano obtenido alimenta a los motores que funcionan a etanol. El precio de los alimentos aumenta de Marruecos a Brasil y de Pakistán a Australia y aparece el dilema: ¿nafta para recorrer 1500 kilómetros con el auto o para alimentar un año a una persona? Hamlet dice, siempre dice, “Ser o no ser, ése es el dilema”.